domingo, 1 de abril de 2012

O Vinho no Brasil



O Brasil, por mais que possua um vasto território não possui umas das mais desejadas condições para produção das uvas. 

O clima tropical do norte e o sub-tropical do centro sul do país, com chuvas abundantes e temperaturas altas, não favorecem o crescimento das uvas viníferas (aquela passível a produção de vinho de qualidade).

A maioria dos vinhos produzidos no Brasil são os vinhos de mesa, sendo estes, da região sul onde se produz a maior parte dos vinhos finos brasileiros. Isso devido a região obter um clima de temperatura mais fria.

Existe um ditado popular dos "enochatos" contadores de história: "vinho brasileiro não presta". Só existem três coisas certas nesse mundo: 1º A morte, 2º Pagar Imposto e 3º que essa afirmação enochata é generalizada e mentirosa. Prova disso é que nós temos grandes fornecedores que é a Miolo, Salton e a Chandon, que sempre vem surpreendendo em qualidade superior, sempre ganhando prêmios internacionais. 

Vale lembrar, que a uva vinífera ela possui uma substância chamada Resveratrol, esta, uma das mais poderosas substâncias do mundo que previne o corpo humano de diversas doenças, é responsável também pela a proteção da uva de diversos tipos de enfermos que podem lhe ocorrer. Estudos realizados, afirmam   taxativamente que devido a temperatura do clima brasileiro ser muito quente, faz com que haja uma estimulação a essas uvas à produção de mais Resveratrol, ou seja, foi constatado que a uva brasileira pode não ser a melhor do mundo, mas com certeza uma das mais saudáveis.

Agora, que tal um pouco de história? 

Quem ao estudar literatura na escola nunca ouviu falar de Brás Cubas? Ou melhor dizendo, memórias póstumas de Bras Cubas. Quem diria, mas esta obra de "Machado de Assis" tem tudo a ver com a história de vinho aqui no Brasil.

A história do vinho no Brasil se inicia em 1532, com a chegada do governador Martin Afonso de Souza, quando Brás Cubas planta as primeiras vinhas na capitania de São Vicente, com resultados desanimadores devido ao clima quente e úmido. Nessa época, e por muito tempo, apenas o vinho importado da Europa, principalmente de Portugal e França, foi aqui consumido. 

Apenas no final do século XVIII froam Introduzidas as primeiras videiras americanas, que se mostraram muito produtivas e bem adaptadas, determinando um padrão de produção e consumo local de vinhos que perdura até hoje.

Entre 1870 e 1875 teve início a colonização italiana na Serra Gaúcha, instalando-se uma colônia com hábitos ligados ao vinho, que inicialmente elaborou vinhos de mesa para consumo próprio e em seguida avançou produzindo para o consumo de toda a região sul.

Apenas em 1970 , com a chegada ao Brasil das primeiras multinacionais do vinho, foram implantados vinhedos de uvas viníferas, sendo esta a data de início da vinicultura fina em nosso país. Apesar dos investimentos e do trabalho, os resultados não foram de grande qualidade, pois as técnicas de cuidado com os vinhedos europeus em nosso território tiveram de ser desenvolvidas ao longo do tempo.

Nos anos 80 ocorreu um grande desenvolvimento tecnológico, com melhoria de vinhedos e técnicas de cultivo, e muito progresso em técnicas modernas de vinificação.

Na década de 90, com os investimentos em tecnologia já consolidados, tem início uma busca de qualidade e ao mesmo tempo se nota uma popularização do consumo. Mais e mais vinícolas abandonam a produção de brancos e se dedicam aos espumantes, que se mostram competitivos em qualidade e preço, capitaneando um renascimento na cansada indústria nacional.

A virada do século assistiu à consolidação dos novos investimentos em vinhedos e em tecnologia de elaboração de vinhos tintos, com a reputada safra de 1999 apresentando diversos vinhos de qualidade jamais vista em nossa vinicultura.

De 2000 em diante esse progresso não parou mais, com mais e mais vinícolas apresentando produtos de alta qualidade, mas nem sempre de preço popular. Diversos empresários de outros setores têm investido na produção de vinhos de alto nível, objetivando um mercado de exportação onde a presença brasileira tida como exótica vem crescendo em volume e prestígio.

No cenário interno, o volume de produção de vinhos finos vem crescendo, com uma gradativa mas ainda tímida substituição de vinhedos comuns por viníferas, porém ainda longe de ser um caminho para a substituição do consumo de vinhos de mesa.

A entrada de um público mais jovem como consumidor de vinhos é o alvo para uma indústria local focada em volume crescente de vinhos finos de qualidade básica, que sofrem muita competição dos vinhos baratos do Chile e Argentina, com melhor relação qualidade-preço. Essa concorrência é agravada pelo preconceito ainda arraigado contra o produto nacional.

Soma-se a tudo isso uma juventude conceitual de nossa vinicultura: os produtores não possuem e nem sempre buscam uma referência para sua produção: experimentam um sem número de variedades e todas as tentativas são rapidamente transformadas em produto comercial, valendo mais o marketing que os resultados qualitativos, pois o desconhecimento do público é ainda a mais importante característica de nosso mercado.

O desafio atual é a busca de uma identidade para o vinho brasileiro e o desenvolvimento de barreiras para a entrada de vinhos importados baratos em nosso mercado.


                                                                                                                 


PARA O DIA DE HOJE FICA UM POEMA DO NOSSO ILUSTRÍSSIMO MARIO QUINTANA.

MELHOR VINHO…Mário Quintana
"Por mais raro que seja, ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente
Aquele que tu bebes, docemente,
Com teu mais velho e silencioso amigo".


(fonte da pesquisa histórica: academia do vinho)


                                                                                                                        

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